Neste lugar cada vez menor chamado mundo, temos hoje mais de 200 milhões de trabalhadores desempregados sendo que cerca de 75 milhões tem menos de 25 anos, segundo a OIT. É certo que a crise econômica está no bojo disto tudo, mas também a globalização tem sido alvo de preocupação em todos os fóruns de discussão dos trabalhadores. Todas estas questões obrigam as organizações de trabalhadores a saírem da perplexidade e buscarem espaços para uma ação proativa.

O dinheiro tem sido a medida de todas as coisas e o fato de não ter cor e nem cheiro, ou seja, não tem uma trilha fácil de ser rastreada, também o torna um mecanismo de difícil controle para se verificar certas atividades em relação aos fins socialmente desejáveis. Cria uma ponte ligando demandas por mais lucros ao invés de ligar lados que realmente precisam desenvolver uma vida melhor e o tão almejado trabalho decente. Não se trata de uma visão simplista e sim garantir que o investimento seja sustentável e não um fim em si mesmo, gerando um canibalismo ameaçador onde o fim de um é o lucro do outro.

Para garantir uma discussão mais produtiva os espaços de dialogo social cada vez mais passam a ser de importância vital para o futuro das organizações de trabalhadores e da pratica da solidariedade internacional. O mundo da representação Sindical não pode estar limitado a sua base, mas sim promover a discussão sobre o futuro. Hoje no Brasil temos uma situação privilegiada em termos de trabalho e renda se compararmos com uma boa parte de países que ainda tentam se recuperar da crise. Mas se estamos bem em termos de emprego, muito ainda falta em benefício para a população de uma maneira geral.

Hoje o Brasil é parte da economia mundial e sua atual posição decorre da existência de uma demanda nacional gerada por uma massa salarial que cresceu nos últimos tempos, mas se essa demanda é atendida por uma produção nacional, gera mais renda para o trabalho, elevando a massa salarial e mais demanda, formando um circulo virtuoso. Contudo se essa demanda é atendida por uma produção externa, com trabalho que não transforma a renda em demanda nacional, pode-se formar um circulo vicioso, que irá resultar numa queda da produção, menos trabalho, menos renda, menos demanda e menos produção.

Com este quadro que exige dos trabalhadores organizados uma discussão mais contundente sobre o futuro, fica claro a necessidade de maior preparo para o novo tipo de papel que estão sendo chamados a representar, principalmente em sua estrutura mais elevada, as centrais sindicais. Cabe à organização dos trabalhadores produzirem reflexões de alto nível sobre a realidade internacional e a brasileira em todos os aspectos considerados relevantes. Reflexão abalizada, consistente e plural pode ser perseguida, apresentada e discutida entre as lideranças e na sequência ser difundida de forma consistente em suas bases.

A partir de análises aprofundadas a Central poderá emitir opiniões, encaminhar projetos, propostas, soluções para questões importantes para a sociedade brasileira. Da mesma forma, se posicionar sobre questões do cenário mundial, tanto relativas à conjuntura como em relação a questões mais estruturais. Além disso, é imperativo que as lideranças sindicais sejam capacitadas como interlocutores empoderados para intervir nos mais variados espaços de discussão, especialmente aqueles destinados à formulação e implementação de políticas públicas e às barganhas coletivas em torno dos direitos e conquistas dos trabalhadores.

É grande a agenda que desafia o mundo Sindical e é a partir desta necessidade que a UGT criou seu Instituto de Altos Estudos como forma de assessorar as lideranças Sindicais da UGT e pautar sua atuação de forma cooperada com todas as secretarias da UGT, também desempenhando um papel importante na formação e capacitação de alto nível de sindicalistas, buscando maior integração entre a sociedade e o mundo acadêmico.

Entendemos que a formação e a capacitação constituem estratégias para organizar e sistematizar a informação, ou seja, para produzir conhecimento. É fundamental que as lideranças sindicais sejam capacitadas como interlocutores para intervir nos mais variados espaços de discussão, especialmente aqueles destinados à formulação e implementação de políticas públicas e às barganhas coletivas em torno dos direitos e conquistas dos trabalhadores.

Pecunia non olet (*) Dinheiro não tem cheiro
Roberto Nolasco
Diretor do Instituto de Altos Estudos da UGT
Assessor da Secretaria de Finanças